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Pesquisa exclusiva mostra dicas, tendências e desafios do trabalho remoto com a pandemia

Andrea Fuks, diretora da empresa Global Line.

A pesquisa “Mobility 2020” é realizada anualmente com profissionais de Recursos Humanos, em parceria, pela empresa brasileira Global Line, especializada em treinamento e consultoria que atua nas áreas de diferenças culturais, trabalho em equipe, diversidade, neurocoaching e autoconhecimento, e pela norte-americana Worldwide ERC, que ocupa uma posição central na indústria de talento e da mobilidade de profissionais entre diferentes regiões do mundo. Neste ano, o estudo foi realizado entre os meses de agosto e outubro, coletando respostas de 145 empresas multinacionais que atuam no Brasil. As empresas que responderam a pesquisa são predominantemente de grande porte, sendo que 69% delas possui mais de 10.000 funcionários e 70% faturam mais de US$ 1 bilhão por ano. A maioria delas (61%) tem sede fora do Brasil.

“Esta é uma pesquisa amostral e não um censo e, portanto, situações específicas ou pequenos subgrupos podem não estar adequadamente representados. Porém, com base em nossa experiência, entendemos que a amostra das empresas respondentes é ampla e diversa o suficiente para caracterizar de forma precisa o mercado como um todo”, explica Andrea Fuks, diretora da Global Line. A pesquisa, que está em sua nona edição, é dividida em duas partes. Na primeira, o foco é nas melhores práticas de Global Mobility. Em 2020, a segunda parte foi ouvir os profissionais de Recursos Humanos sobre a experiência com o Home Office em tempos de pandemia.

Antes da pandemia, o Home Office era um modelo de trabalho pouco utilizado pelas empresas consultadas – apenas um em cada sete profissionais praticava o trabalho remoto – e a sua aplicação provocou grandes desafios de adaptação para os profissionais, sobretudo em relação ao equilíbrio entre as atividades profissionais e pessoais em um mesmo ambiente – a residência da pessoa. Mas os dados obtidos mostram que estes desafios foram respondidos com o desenvolvimento de novas atitudes e habilidades, que permitiram superar as dificuldades e, hoje, a grande maioria dos profissionais se sente confortável com o modelo de trabalho remoto.

De acordo com a pesquisa, até março de 2019, somente 25% das empresas consideravam o trabalho remoto como uma alternativa integrada à sua estrutura e cultura. Antes da pandemia, apenas 26% enxergavam o Home Office como uma prática estratégica e real. Para 24% dos entrevistados, seria uma iniciativa aceitável para alguns cargos e posições (profissionais de vendas, por exemplo). 23% apontaram o trabalho remoto apenas como um saída para situações específicas, 14% admitiram que é um assunto presente nas reuniões de RH mas que nunca saiu do papel e 12% afirmaram que ele nunca foi considerado.

A pesquisa também questionou as empresas sobre as principais dificuldades enfrentadas pelo trabalho remoto. Os resultados mostraram que o grande desafio é coordenar e separar atividades domésticas e profissionais no mesmo espaço – foi o que responderam 44%. 42% colocaram a conexão caseira de internet como um problema. Para 40%, ruídos e interrupções caseiras são outro problema. 38% admitiram dificuldades para controlar seus horários de começar e encerrar o trabalho. 7% reclamaram das vídeos-conferências em outros idiomas, enquanto 2% têm dúvidas sobre o que vestir nestas reuniões virtuais.

O estudo detectou aprendizados interessantes dos profissionais que praticaram o Home Office, como adaptabilidade e paciência (18%), equilíbrio de vida pessoa/profissional (16%), organização e disciplina (16%), gestão do tempo (11%), abertura ao novo e criatividade (10%), empatia (6%), valorização dos relacionamentos (6%) e manter foco (6%). Ou seja: o trabalho remoto e o isolamento social também estimularam o desenvolvimento de novas atitudes em relação à adaptação e também o aprofundamento de habilidades específicas de organização e gestão, que são fatores bastante positivos gerados por esta situação inusitada.

Graças a esses aprendizados, algumas atividades que pareciam muito difíceis a princípio, acabaram e mostrando mais fáceis. Exemplos: comunicação de trabalho em equipe (25%), trabalhar em casa (19%), gestão do tempo pessoal/profissional (18%), não sair de casa (9%), manter o foco (8%), adaptação (8%) e isolamento (5%).

No balanço geral, apesar de ter demandado muita energia, o trabalho remoto vem gerando sentimentos majoritariamente positivos: Produtivo (52%), Protegido (47%), Cansado (45%), Focado (35%), Conectado (30%), Solitário (17%), Solidário (14%) e Receoso (13%). Entre os profissionais entrevistados, 58% afirmaram estar “muito confortáveis” com o trabalho remoto, contra 36% de pessoas “confortáveis” e apenas 6% “desconfortáveis”. Sobre a dificuldade de trabalhar com equipe remota, 91% classificaram essa atividade de “muito parecido com o normal”, “muito fácil”, ou “fácil”. Apenas 9% responderam “difícil”.

Apesar desses números, a pesquisa mostra que ainda existem arestas para serem aparadas. Perguntados sobre os desafios de trabalhar remotamente, os profissionais ouvidos afirmaram: socializar (68%), desenvolver confiança (33%), comunicar (28%), dar feedback (22%), manter a meta comum (22%), liderar (15%) e fazer amigos (14%). São desafios importantes ainda não resolvidos para a construção de equipes fortes e com boa performance.

Além disso, os profissionais apontam, para as empresas, diversos pontos de melhoria que devem ser considerados na continuidade do trabalho remoto: segurança de dados (79%),  comunicação efetiva (74%), maior foco em uma cultura humanizada e  colaborativa (70%), manter o engajamento dos trabalhadores (65%), receber/acolher os novos colaboradores (53%), repensar práticas organizacionais (52%), avaliação de performance (51%) e investir em ferramentas /treinamentos para o desenvolvimento humano (49%). Como se vê, uma das tendências mostradas nesses números é que a incorporação do modelo de trabalho remoto demandará maior foco das empresas no desenvolvimento de habilidades interpessoais, como comunicação e colaboração.

PROFISSIONAIS EXPATRIADOS

A população de transferidos cobertos pela pesquisa foi de 4.890 profissionais. Entre 2019 e 2020, houve uma significativa queda (16%) da população de profissionais transferidos. Essa queda foi gerada, em grande parte, pela forte redução no volume de estrangeiros transferidos para o Brasil, que caiu 49%. Esses números são um reflexo da pandemia, que reduziu a atratividade do Brasil como destino, tanto por questões de saúde quanto de expectativas econômicas. Também houve uma redução importante, de 37%, na quantidade de profissionais brasileiros enviados para trabalhar em empresas brasileiras fora do Brasil.

Entre os profissionais que foram transferidos para outro país, a maior parte (92%) mudou-se por um período superior a um ano. Transferências de curto prazo (de três a 12 meses) responderam por 79%; transferências definitivas, 69%; viagens de negócios estendidas, 34%; trainee ou estagiário internacional, 30%; rotação de posições, 20%; transferência temporária, 19%; pós-graduação ou graduação (5%).

As equipes de mobilidade geralmente fazem parte da área de remuneração e benefícios. 60% dos entrevistados trabalham nessa área. Eles percebem sua contribuição à empresa de forma diversa, ligada tanto ao negócio quanto diretamente aos indivíduos que atendem. Para a maioria dos entrevistados (34%), sua principal contribuição à empresa é o “Apoio ao negócio”.


SOBRE A WORLDWIDE ERC

A Worldwide ERC ocupa uma posição central na indústria de talento e mobilidade, que está em constante transformação visando apoiar as empresas em atividades críticas para operar e competir globalmente, como: recrutamento, desenvolvimento de equipes e a conexão de pessoas e habilidades de que as organizações precisam, onde e quando precisam. Desde 1964, a Worldwide ERC desenvolve uma dinâmica e inovadora comunidade de profissionais, capacitando profissionais de mobilidade através de conexões relevantes, informação imparcial e ideias e soluções inspiradoras. A empresa fica na área metropolitana de Washington, nos Estados Unidos.

SOBRE A GLOBAL LINE

A Global Line é uma empresa de treinamento e consultoria que atua nas áreas de diferenças culturais, trabalho em equipe, diversidade, neurocoaching e autoconhecimento. A companhia tem mais de 20 anos de experiência e sua sede fica em São Paulo (SP). Global Line atende cerca de 50 empresas por ano, treinando e capacitando até hoje 10.000 profissionais.

PRESS RELEASE COMPLETO:

Home office, a difícil arte da disciplina dentro de casa

Como ter disciplina diante do cenário atual determinado por algumas empresas? Isso tudo está exigindo muitas adaptações, indispensáveis, em cada um de nós. Esta nova realidade entrou de uma vez pela porta da frente das nossas casas de um jeito que nunca imaginaríamos. A verdade é que o mundo corporativo entrou em nossas casas de uma maneira mal planejada. Assim como os encontros e reuniões com colegas e equipes também foram transformados, tornando-se virtuais.

É esse cenário do chamado “novo normal” de muitas pessoas que está gerando o que chamamos de Fadiga Mental, um termo ainda meio recente, que muitos profissionais podem estar sofrendo sem saber. E o que é Fadiga Mental? É a sensação de se sentir cansado demais – só que pelo mundo online.  O Home Office trouxe para a nossa vida, por exemplo, um excesso de reuniões em vídeos cada vez mais exaustivas.

Tudo isso, alinhado à rotina de trabalho que já existia, e somado às atividades domésticas que muitos não tinham na sua rotina, nos dão a sensação de que o nosso trabalho aumentou. E aumentou mesmo. Esse excesso é decorrente de mais reuniões (virtuais) e também das telas do celular ou do computador. Essas imagens em telas tendem a consumir mais energia de nós para que consigamos interpretar corretamente tudo que acontece relacionado à reunião. Ao contrário, nos encontros pessoais, há muitos estímulos que facilitam toda esta comunicação, gerando menos estresse e gastando menos da nossa energia.

Além disso, muitas vezes, sem nos dar conta, estamos participando de reuniões virtuais com tensão no rosto ou franzindo a testa, por exemplo, alguns dos sintomas da Fadiga Mental – e isso pode até nos gerar dor de cabeça durante ou após a reunião virtual.

É fácil entender esse cenário. Nossas mudanças foram muito maiores do que alguns imaginam. Antes nos deslocávamos para ir ao trabalho, enfrentávamos trânsito, engarrafamentos, horas no metrô, trem, para chegar em nosso posto de trabalho e por lá ficar, muitas vezes, entre 8 e 10 horas todos os dias. E no final do período voltar para a nossa rotina normal de casa, com filhos, família, faculdade, academia – quase sempre, neste horário não havia mais trabalho. E hoje ainda há! Uma dica simples para amenizar essa Fadiga Mental é tentar reduzir a quantidade de imagens, e aumentar a quantidade de textos e áudios, se for possível. Isso já reduziria o trabalho do cérebro, evitando parte desse cansaço e esforço exagerado.

Neste “novo normal”, as empresas entraram em nossas residências, quartos, salas e cozinhas – e tivemos de nos adaptar por uma necessidade emergencial, sem planejar muito a viabilidade do espaço, iluminação, ruídos etc. Passados cinco meses, diversas empresas transferiram definitivamente suas ações (reuniões/treinamentos/feedbacks) e hoje incorporamos esta rotina à nossa vida pessoal dentro de nosso lar, somadas às ações do dia a dia, como cuidar dos filhos ou da casa. Para alguns, esta transformação foi super tranquila, mas para outros ainda incomoda muito.

Mudanças fazem parte da nossa vida, mas a pandemia trouxe a todos uma nova visão de responsabilidades, disciplina e autocontrole, em um cenário nada ajustado para isso. Apesar disso, cada funcionário precisa seguir em frente, entender qual a melhor forma de não perder o foco no trabalho, na carreira e ainda manter a harmonia dentro dos seus lares.

Para nos adaptarmos a qualquer mudança, em geral, levamos em média de três a seis meses. E se isso não for planejada, certamente vai gerar algum desconforto inicial. Para isso, eu gostaria de apresentar algumas sugestões que podem melhorar a sua produtividade e a sua harmonia com a vida profissional.

Negocie com o seu líder: este momento de adaptação requer que você busque novas formas de se relacionar, mostrando efetivamente o que está lhe deixando com algum desconforto – podem ser as rotinas diárias, por exemplo, e, neste caso, uma forma para se adaptar é criar uma agenda com os horários das reuniões virtuais.

Crie seu próprio espaço mental: se você tem dificuldade para se adaptar ao local atual de trabalho, imagine que a sua casa, agora, além das divisões normais, ganhou um novo local voltado para o trabalho. Você terá que estar adaptável: roupas, material de trabalho, móveis, iluminação, ruídos, conexão com a internet – tudo isso tem que ser muito bem controlado. Crie seu espaço e faça dele o melhor possível, assim você terá disposição para entrar em ação todos os dias, com uma estação de trabalho do jeito que você gosta.

Adaptar uma nova rotina: reorganize suas atividades domésticas e profissionais. As tarefas domésticas, realizadas juntas com as atividades profissionais, levam a pessoa a trabalhar mais. Procure separar o que é importante do urgente em suas atividades e tente iniciar pelo menos as três principais que vão gerar resultados em sua vida , assim você coloca as prioridades para aquilo que deseja alcançar.

O importante deste novo momento é que as pessoas reajam ou respondam de forma diferente, de acordo com a sua disposição, o seu preparo, planejamento, idade e tendências. Por isso, é importante você lembrar daquela velha e famosa frase: “Os que mais se adaptarem serão os que sobreviverão”. Fazer a gestão da mudança requer que você se desafie o tempo todo, e, neste novo normal, é fundamental inovar e se adaptar constantemente.

(Artigo escrito por Mari Clei Araújo, diretora da MC Coaching & Consultoria, cliente da g6 Comunicação)