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12,6 milhões de desempregados! Isso tudo é realmente falta de emprego?(*)

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De acordo com os últimos dados oficiais divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Brasil tem hoje 12,6 milhões de desempregados – isso representa uma redução no desemprego brasileiro, pois no início deste ano os números oficiais passavam dos 13 milhões de pessoas. O índice de desemprego atual no País é de 11,8%, na média geral, mas esse percentual muda muito de acordo com o sexo, idade, escolaridade e capacitação da pessoa. Ou seja: mulheres, jovens, profissionais sem nível superior ou capacitação profissional adequada vivem uma realidade muito pior e, por isso, enfrentam muito mais dificuldades para conseguir um novo trabalho.

Um exemplo interessante: se considerarmos apenas os profissionais com 25 anos ou mais e com ensino superior completo, essa taxa de desemprego cai de 11,8% para 5,7%. Isso mostra que quanto maior a qualificação, menor o desemprego. Nós, que trabalhamos no dia a dia buscando profissionais adequados para os nossos clientes, enfrentamos essa realidade na prática. Neste momento, por exemplo, tenho algumas vagas que simplesmente não consigo preencher porque não consigo localizar profissionais qualificados para as funções. Ao mesmo tempo, não param de chegar currículos de candidatos, mas de profissionais sem a menor condição de assumir esses desafios. E essas pessoas não estão buscando se qualificar melhor para aumentar sua chance de conseguir um novo emprego.

Há um dado bem interessante levantado pelo Sindicato dos Comerciários do Estado de São Paulo e pela LCA Consultores. A cidade de São Paulo promove alguns mutirões de emprego, com o objetivo de ajudar as empresas a encontrarem os profissionais certos para as vagas disponíveis. Em 2018, foram realizados dois mutirões com, no total, 10.800 candidatos disputando 5.800 vagas. No final, somente 3.500 vagas foram preenchidas. Neste ano, aconteceu apenas um mutirão, com a presença de 15.000 desempregados buscando uma recolocação. Eram 6.000 vagas em disputas, mas somente 1.325 delas foram ocupadas. O motivo? O mesmo para os dois casos: falta de qualificação por parte dos candidatos. Esse mesmo estudo mostra que haviam, no primeiro trimestre deste ano, 634.300 desempregados considerados pelos especialistas como “de difícil recolocação”.

Nos últimos dois anos, 60% das 11.800 vagas ofertadas em mutirões do emprego, que reuniram grandes empresas, simplesmente não foram preenchidas – apesar do número de candidatos ser sempre bem superior ao de vagas abertas. E sabe o motivo disso? Porque eles têm dificuldade de se expressar e fazer contas, possuem poucos (ou nenhum) conhecimento de informática e inglês e muitas vezes desconhecem a própria língua portuguesa, além de contarem com poucos anos de estudo. É assustador, não acha? E nada indica que este cenário tenha melhorado de lá para cá. As pessoas precisam entender que não basta querer um emprego, é fundamental nos dias de hoje se preparar cada vez mais para atingir esse objetivo.

De acordo com o Sindicato e a União Geral dos Trabalhadores (UGT), em um mutirão recente foram ofertadas 2.000 vagas para caixa de supermercado, com salário mensal em torno de R$ 1.100,00. Acredite: apenas metade das vagas foi preenchida por falta de qualificação dos candidatos. No início do ano, a Atento, empresa de telemarketing de prestígio e maior empregadora privada do Brasil, abriu 1.200 vagas no Mutirão do Emprego, promovido pelo Sindicato dos Comerciários. O resultado foi impressionante: somente 600 interessados e apenas sete operadores de telemarketing haviam sido contratados até junho. Isso representava menos de 1% da demanda da Atento, na época.

Não há dúvida que o mercado brasileiro está enfrentando uma das piores crises das últimas décadas, com corte severo de vagas. Isso é fato. Assim como se torna cada vez mais desafiador enfrentar essa “selva” sem a qualificação adequada para as vagas desejadas. Se você for jovem, a situação é ainda mais alarmante, pois os jovens sem qualificação são, sem dúvida, a parcela da população mais impactada pela crise e, consequentemente, pelo desemprego. Mas não é só. Segundo especialistas em recrutamento, é mais difícil conseguir um emprego para quem tem até o ensino fundamental, tem menos de 20 anos ou mais de 45 e está há mais de um ano fora do mercado.

Existe hoje um abismo entre a qualidade da mão de obra disponível no mercado e o que as empresas realmente precisam para suprir suas necessidades. Especialistas apontam que isso não é culpa da crise. E que não deve se resolver com a retomada da economia, tão esperada para 2020. Segundo Fábio Bentes, economista-chefe da Confederação Nacional do Comércio (CNC), de cada 10 desocupados, dois devem ficar fora do mercado de trabalho na próxima década. Isso significa que aquele número de 634.300 desempregados, considerados “de difícil recolocação”, pode saltar para 1,4 milhão em 10 anos. Em 2014, por exemplo, antes da recessão, a economia estava tão aquecida que até profissionais com poucas qualificações eram absorvidos. Uma ilusão que enganou muita gente, pois, com a crise, o quadro se inverteu e ficou claro que há pouca esperança para quem não se qualificar, atualizar, treinar e se adaptar às novas necessidades muito mais exigentes dos empregadores. É fato que muitos desempregados não estão preparados para conquistar nem mesmo uma vaga muito básica, como operador de telemarketing ou padeiro.

Mas, concretamente, o que as pessoas que estão com dificuldade de conseguir um novo emprego podem fazer para melhorarem suas chances nessas disputas por vagas?

  • A primeira recomendação é se candidatar a vagas que realmente sejam compatíveis com o seu perfil profissional. Não vale a pena perder o seu tempo e energia, nem a do recrutador, em objetivos impossíveis.
  • A segunda dica é caprichar um pouco mais no seu currículo, que é outro problema que detectamos com frequência no nosso dia a dia. Seu currículo deve ser curto, com no máximo duas páginas. Currículos extensos tornam difícil para o recrutador uma leitura mais objetiva e clara das informações importantes que você precisa transmitir.
  • O currículo deve passar, de maneira clara e objetiva, informações pertinentes ao cargo que você está pleiteando. O ideal é que a pessoa tenha mais de um currículo montado, e envie uma versão “adaptada” ao perfil da vaga em disputa para o recrutador. Mas sempre com informações verdadeiras. Estamos falando de foco ao se apresentar, e não de inventar um perfil.
  • É importante, também, que o currículo tenha logo no início um tópico “Resumo das Qualificações”, onde devem ser destacadas qualificações importantes da pessoa para aquela vaga, como o tempo de experiência no setor, o tempo que exerceu alguma liderança na área, domínio ou bons conhecimentos de informática ou inglês, principais realizações durante sua experiência na área etc.

Se você deseja aprimorar o seu currículo, melhorar seu perfil no Linkedin e se preparar de maneira mais eficiente para as futuras entrevistas de emprego, a MC Coaching & Consultoria pode ajudar você. Temos muita experiência neste trabalho e temos condição de orientá-lo no sentido, por exemplo, de tornar o seu currículo mais atrativo para o mercado atual, o que poderá contribuir decisivamente para que você consiga superar mais facilmente a enorme competitividade atual desse mercado com mais de 12 milhões de desempregados.

(*) Mari Clei Araújo é diretora da MC Coaching & Consultoria (www.mccoachingeconsultoria.com.br)

Relacionamentos líquidos (*)

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Relacionamentos viraram uma espécie de mercadoria. Não gostou? Veio com defeito? Troque. E troque tão rápido como você quiser, pois bastam alguns comandos no seu celular para tirar uma pessoa completamente da sua vida.

Os relacionamentos amorosos estão cada vez mais descartáveis atualmente. Casais se tornam casais por um tempo cada vez menor, cada vez com menos tolerância, mais exigências e mais cobranças. As frustrações amorosas para quem está solteiro e está tentando deixar de ser crescem de maneira exponencial. O paradoxo é que, ao mesmo tempo, talvez nunca tenha sido tão fácil conhecer pessoas. Além dos locais e situações convencionais, que sempre existiram – como um bar, a fila de um supermercado, uma caminhada no parque, a academia e os colegas de trabalho ou estudo, por exemplo -, o fato é que hoje existe uma infinidade de possibilidades para quem está sozinho. Inúmeros aplicativos de paquera com diferentes perfis e voltados para públicos específicos, sites de relacionamento nos quais é possível definir exatamente que tipo de parceiro ou parceira se busca, as redes sociais cada vez mais presentes na nossa vida – tudo isso aliado à facilidade enorme de comunicação que trouxeram aplicativos como o WhatsApp, onde é possível conversar por meio de mensagens escritas ou áudios e ainda trocar fotos em questão de segundos.

Não há dúvida: nossa dificuldade não é conhecer pessoas. Pelo menos, não é apenas conhecer a pessoa certa, como reclama muita gente, após algumas doses de desilusão fuçando invenções como o Tinder ou o Happn, só para citar os mais populares aplicativos de paquera do mercado, nos quais temos uma grande chance de encontrar a maior parte dos nossos amigos, parentes, colegas de trabalho e vizinhos solteiros – e muitos casados também! Pensando por outro ângulo aparentemente bem razoável, nosso problema talvez não seja encontrar a pessoa certa, mas sim ser a pessoa certa quando encontramos alguém. A facilidade de conhecer pessoas, ou pelo menos de iniciar conversas com pessoas desconhecidas aparentemente atraentes e interessantes por meio dos recursos que a Internet nos oferece, é um dos grandes vilões que ajudam a implodir essas relações líquidas que conhecemos nos dias de hoje. Explico: sendo tão fácil conhecer pessoas, por que administrar conflitos? Por que deixar pra lá alguma diferença ou uma frase infeliz do outro? Basta deletar aquela pessoa e iniciar uma nova conversa com o próximo da lista. Não é o que a maioria faz?

O tema não é novidade, mas parece atingir níveis mais assustadores a cada dia. Em 2012, o sociólogo polonês Zygmunt Bauman, então com 87 anos e um dos intelectuais mais respeitados da época, lançava no Brasil seu livro “Amor Líquido”, de grande sucesso. Em sua obra, o autor procurava discutir porque as relações humanas estavam tão flexíveis e por que os seres humanos estavam dando mais importância a relacionamentos em “rede” (pela Internet, das mais diferentes formas, como e-mail, mensagens de texto e salas de bate-papo). Uma das conclusões é que, por ser essencialmente virtual, esse contato é mais fácil de ser encerrado, a qualquer momento. Para Bauman, nada era para durar. Bem-vindo ao futuro! Uma consequência imediata desse cenário pode ser o momento que vivemos hoje (com muito mais opções virtuais para se relacionar com as pessoas), sete anos depois, no qual as pessoas realmente parecem não saber mais como manter um relacionamento em longo prazo. Desaprenderam? Estão exigentes demais diante de tantas opções? Esse cenário sombrio não parece escolher idade, embora aconteça com mais dor nas pessoas acima dos 40 anos, normalmente divorciados (ou que pelo menos já moraram juntos com alguém durante algum tempo), pais e mães. São pessoas que, em geral, buscam de verdade um companheiro de vida. Encontram diversão, quando encontram. Nos mais jovens, dos 20 aos 30 e poucos anos, a dificuldade de namorar nos dias de hoje também existe. Mas nesta faixa etária, sempre falando de um modo geral, isso acontece com menos dor. Esse público não se incomoda tanto de se divertir com diferentes pessoas “erradas” ao longo de um mês enquanto a tal pessoa “certa” não cai do céu ou brota na tela do seu celular. Essas pessoas têm tempo para isso.

Relacionamentos viraram uma espécie de mercadoria. Não gostou? Veio com defeito? Troque. E troque tão rápido como você quiser, pois bastam alguns comandos no seu celular para tirar uma pessoa completamente da sua vida. E com mais alguns comandos, um pouquinho de paciência e uma dose de sorte, logo surge outro pretendente interessante. Interessante até que as conversas avancem um pouco. E segue o jogo. Um jogo altamente lucrativo para os proprietários dos principais aplicativos de paquera. Então, se você está solteiro e já desistiu dos aplicativos, pense de novo. Só no Tinder são mais de 9 milhões de pessoas em busca de um par e uma boa parte delas paga por isso. Assina o serviço para ter recursos extras que, na teoria, facilitam a paquera. É graças a esses serviços extras vendidos que o Tinder fatura perto de R$ 500 milhões por trimestre. Sim, a paquera é um ótimo negócio. As dificuldades que nós, os usuários, temos parece alimentar essa máquina de fazer dinheiro.

Uma contribuição para entender a dinâmica dos relacionamentos dentro do processo de coaching, seria a “casa dos relacionamentos saudáveis”, desenvolvida pelo Dr. John Gottman, que fundou o “laboratório do amor (Love Lab).  Gottman é pioneiro no uso do método científico para o estudo dos relacionamentos, se tornando um dos maiores especialistas mundiais no assunto. A casa dos relacionamentos saudáveis é composta por três níveis: sistema de amizade, de conflito e de significado. Segundo essa lógica, não há como não existir “conflitos” em um relacionamento. A diferença é a forma como cada casal irá lidar com esses conflitos. Os conflitos ocorrem por causa, sobretudo, das divergências de opiniões, divergências de personalidades e das diferenças de perfil de cada personalidade. Já no sistema da amizade, a ligação afetiva, a confiança, o companheirismo e a cumplicidade reforçam os laços do casal. Os melhores casais são grandes amigos e companheiros. E como administrar os conflitos? Sabendo quem eu sou, sabendo quem a pessoa é de verdade, sabendo do que ela gosta, sabendo do que eu gosto, sabendo que atividades ambos podem fazer juntos. A questão da “amizade” é essencial no sentido do casal saber conversar sozinho, saber se socializar, se admirar, saber buscar coisas que os dois tenham prazer em realizar. No sistema de significado, é quando existe uma vida em comum – isso acontece quando existem propósitos e significados partilhados, fortes o suficiente para que os dois se sintam motivados a imaginar um futuro juntos.

Acho que essa lógica explica boa parte do que acontece hoje entre as pessoas que acabaram de se conhecer. Elas iniciam pela amizade e quando chegam os conflitos não conseguem ir adiante justamente porque ainda não deu tempo do casal criar ou encontrar um propósito para eles estarem juntos. As relações mais duradouras, especialmente as mais antigas, seguem firmes e fortes porque as pessoas têm um propósito para estarem juntas e sabem alimentar isso no seu dia a dia com sabedoria e tolerância. Descobrir esse propósito, o mais rápido possível, é o grande desafio dos novos casais. Pode ser um jeito importante para conseguir administrar melhor os conflitos e não desistir logo de cara de algo que parecia promissor.

Particularmente, eu vejo as novas relações amorosas como startups, enquanto as relações mais antigas dos nossos pais e tios se parecem mais com as empresas tradicionais, nas quais as pessoas passavam mais tempo. Eram anos trabalhando, sem tanta pressa, esperando uma promoção que dava continuidade por mais um longo tempo à essa “relação”. Nos tempos atuais, nos quais as startups estão na moda, tudo mudou. As novas relações amorosas parecem seguir o modelo das startups, em que você precisa sempre acelerar os processos, precisa fazer diversas coisas diferentes de várias formas desde o início – e aqui eu destaco os aplicativos e as redes sociais. Hoje, o amor não é mais a consolidação do tempo. É a consolidação do momento. A deliciosa música “Amor e Sexo” (lançada em 2003), da genial Rita Lee, conta com muita poesia as diferenças entre o amor e o sexo à moda antiga, do tempo dessas empresas tradicionais que citei há pouco. Hoje em dia, o amor na era da startup não é mais o mesmo. Muitas relações “amorosas” de hoje, além de curtas, têm muito mais o perfil que Rita Lee descrevia como “sexo” na sua canção. O amor continua sendo “sorte”, como diz a canção. Cada vez mais, porém, o amor não é mais amizade. Não temos tempo para isso. É paixão mesmo.  Não é mais divino, nem é para sempre. É animal, carnaval, como pregava Rita para o sexo em sua música 16 anos atrás.

Embora tudo isso seja a nossa realidade de hoje, toda essa rapidez, essa busca interminável, essas frustrações e, principalmente, esta tecnologia toda ao redor do amor, “ainda somos os mesmos, e vivemos, como os nossos pais”, como cantava Elis Regina em “Como nossos pais”, 43 anos atrás. Isso significa que, por fora, parecemos e vivemos sim diferentes, mas por dentro ainda precisamos deixar esse mundo virtual de lado e buscar no olho no olho o conforto, a intimidade, a verdadeira descoberta sobre a outra pessoa. É no olho no olho, mesmo em tempos de amores líquidos, que podemos verdadeiramente aprofundar as relações, a amizade, o carinho. Nada substitui a conexão de dois corações em sintonia. Existem emoções e sentimentos que jamais poderão ser sentidos ou transmitidos por meio de uma tela. É este desafio que precisamos superar para que as relações voltem a ser, de fato, encontros de almas. E não encontros descartáveis, nos quais duas pessoas passam algum tempo juntas mais preocupadas em não expor seus defeitos e não encarar com maturidade e tolerância as imperfeições dos outros.

Haverá um momento inevitável em que os problemas não serão resolvidos simplesmente apertado a tecla “delete”. Quando fazemos isso apenas trocamos de problemas, ou às vezes nem isso. Trocamos só de par, com os mesmos novos velhos defeitos de sempre. Como disse no início e repito aqui, nosso problema talvez não seja encontrar a pessoa certa, mas sim ser a pessoa certa quando encontramos alguém. Desejar ter alguém, especialmente nos dias de hoje, é diferente de desejar construir um relacionamento sério. É importante termos consciência disso quando enfrentamos uma situação assim. Não há nenhum problema em ter uma relação descartável se ambos assim desejarem. Começamos a sofrer quando não admitimos ou enxergamos isso em nosso perfil. Será que estamos realmente prontos para o tal relacionamento sério? Será que nos amamos o suficiente para amarmos alguém e sermos amados na mesma intensidade?

(*) Artigo de Mari Clei Araújo, diretora da MC Coaching & Consultoria (www.mccoachingresults.com.br), cliente da g6 Comunicação.

SUGESTÃO DE PAUTA: O que deve fazer o funcionário que “cansa” do seu emprego?

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Cansado do seu trabalho? Segundo Mari Clei, a mudança de emprego, muitas vezes, embora pareça mais simples, não é a melhor solução para o profissional se sentir  feliz novamente.

A situação é muito mais comum do que se imagina: alguns profissionais simplesmente, e por motivos diversos, “cansam” do seu emprego e ficam perdidos sem saber o que fazer. Insistir onde está? Tentar mudar de área? Buscar um novo emprego? A Coach Mari Clei de Araújo, diretora da MC Coaching e Consultoria (www.mccoachingeconsultoria.com.br) com escritório no bairro do Morumbi, em São Paulo (SP), está habituada a atender este tipo de demanda e afirma que não existe respostas prontas para estas questões. “Cada caso é um caso. É preciso avaliar com cuidado todos os cenários que envolvem qualquer decisão a ser tomada”, explica a especialista.

“O fato é que muitas pessoas vivem essa situação em seus empregos atuais pelas mais variadas motivações e, quando chegam a um limite insuportável, procuram um profissional como eu buscando a tão sonhada recolocação em outra empresa. Chegam reclamando do chefe, dos colegas e da empresa, e por isso desejam uma transição de carreira – ou seja: querem sair de onde estão e conseguir um emprego melhor em outra empresa”, acrescenta Mari Clei. E qual a resposta a estas questões? Uma coisa é certa, de acordo com Mari Clei, a mudança de emprego, muitas vezes, embora pareça mais simples, não é a melhor solução para o profissional se sentir motivado e feliz novamente.

“É neste momento que se destaca uma diferença importante entre o trabalho de coach que eu desenvolvo e o trabalho tradicional oferecido por um bom headhunter, atividade que também realizo. O headhunter vai tentar atender o apelo do cliente, entender seu perfil profissional e, por meio de sua rede de contatos, tentará atender o seu pedido, conseguindo a nova colocação profissional. O serviço prestado por um coach experiente é diferente”, afirma ela.

Para Mari Clei, o primeiro passo é entender, de verdade, o momento da pessoa e avaliar o que ela realmente está enfrentando de negativo no emprego atual. Neste caso, são analisados pontos como sua idade, sua história naquela empresa, a posição da sua carreira e quais são os seus objetivos. Outro ponto importantíssimo é montar uma avaliação do perfil profissional do cliente, pois muitas vezes o verdadeiro motivo do descontentamento dele é somente por estar atuando em uma área em que ele não está feliz devido às suas características pessoais e profissionais. “Meu papel, nestas situações, portanto, é orientar estas pessoas com a minha experiência e mostrar que muitas vezes a solução mais adequada e simples para sua vida profissional é passar por um processo de coaching e não de recolocação.

É preciso, portanto, ter uma ideia muito clara do perfil e das características profissionais e pessoais de cada profissional que chega com uma demanda desse tipo. E por que? Porque, dependendo da situação, ele poderá mudar de emprego, mas acabará encontrando mais à frente, na nova empresa, o mesmo tipo de problema ou obstáculo que vivia no emprego anterior. E isso pode acontecer por que as características dessa pessoa vão continuar as mesmas, pois ela apenas trocou de emprego, sem nenhum tipo de preparação, atualização ou treinamentos adequados.

É claro que há outros caminhos que podem surgir. Alguns clientes acabam indo fazer terapia, enquanto vários, durante o processo de coaching, descobrem outros talentos profissionais e terminam por mudar mesmo de emprego e de área de atuação. Alguns partem até mesmo para o empreendedorismo. O ponto principal, porém, é que estas decisões não devem acontecer movidas apenas por questões emocionais ou impressões do dia a dia que podem estar camuflando outras situações. O processo de coaching é fundamental para entender seu momento profissional, seu verdadeiro perfil e os caminhos que ele pode – ou deve – seguir dali para frente.

“Você, profissional, precisa entender que se você estiver num momento de mudar radicalmente sua carreira profissional, você precisa estar muito ciente do que você realmente deseja, deixando suas emoções de lado. Hoje em dia, cada vez mais, os especialistas falam sobre inteligência emocional, o sistema de treinamento e crescimento pessoal e profissional Mindset e o Mindfulness (ou Atenção Plena, um estado onde treinamos qualidades de atenção ao presente e autocompaixão com experiências desafiadoras) – tudo isso porque o momento atual está voltado para o seu “eu”, para o seu autoconhecimento, o seu autogerenciamento e, sobretudo, o seu autocontrole sobre as suas emoções”, aconselha Mari Clei.

Muitas pessoas acabam sendo jogadas em determinadas áreas de uma organização em cargos que talvez elas nunca tenham sonhado. Mas, por uma questão de mérito conquistado em outro setor da companhia, são promovidas para este novo departamento e acabam permanecendo ali devido a vantagens financeiras. E, com isso, atendem às regras da empresa. O fato é que todo mundo, em algum momento, vai se questionar sobre a sua felicidade e sua satisfação ou não com seu trabalho. A grande dúvida desses profissionais é: “Eu quero ser feliz. Mas como ser feliz num momento tão diversificado e tão cheio de influências do meio econômico, da sociedade e das redes sociais?”.

“Cansei, preciso mudar de emprego. E agora?” (*)

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Eu tento ajudar meus clientes no dia a dia a responder questões como essas. Como eu trabalho também com a parte de contratação e recolocação de profissionais, eu percebo claramente que muitas pessoas que chegam até mim já incorporaram ao seu dia a dia algumas das dicas do escritor norte-americano e especialista em desenvolvimento pessoal Mark Manson, em seu livro “A sutil arte de ligar o foda-se”. O best-seller mostra como a força das circunstâncias para ter uma vida perfeita cria armadilhas perigosas. Assim, numa linha contrária a outros livros do gênero, Manson mostra que ninguém precisa necessariamente ter sucesso e ser perfeito para encontrar a felicidade. E acrescenta que a dor é inevitável em nossas vidas e o segredo para ser feliz seria aceitá-la e não passar seus dias fugindo do inevitável. É uma leitura que está na moda no mundo corporativo hoje em dia, mas que nem sempre representa a o melhor caminho para sua carreira.

O fato é que muitas pessoas ligaram o tal botão “foda-se” em seus empregos atuais pelas mais diversas motivações e, quando chegam a um limite insuportável, procuram um profissional como eu buscando a tão sonhada recolocação em outra empresa. Chegam reclamando do chefe, dos colegas e da empresa, e por isso desejam uma transição de carreira – ou seja: querem sair de onde estão e conseguir um emprego melhor em outra empresa. A pergunta que mais ouço nessa hora é: “Mari, o que eu faço?”. É uma pergunta que pode dar origem a muitas respostas, dependendo a quem for endereçada.

É neste momento que se destaca uma diferença muito importante entre o trabalho de coach que eu desenvolvo e o trabalho tradicional oferecido por um bom headhunter, atividade que também realizo. O headhunter vai tentar atender o apelo do cliente, entender seu perfil profissional e, por meio de sua rede de contatos, tentará atender o seu pedido, conseguindo a nova colocação profissional. O serviço prestado por um coach experiente é diferente.

Eu, por exemplo, começo primeiro a entender o momento da pessoa e avaliar o que ela realmente está enfrentando de negativo no emprego atual. Eu analiso sua idade, sua história naquela empresa, a posição da sua carreira e quais são os seus objetivos. Outro ponto importantíssimo é que também faço uma avaliação do perfil profissional dela, pois muitas vezes o verdadeiro motivo do descontentamento do cliente é somente por estar atuando em uma área em que ela não está feliz devido às suas características pessoais e profissionais. Meu papel, nestes casos, portanto, é orientar estas pessoas com a minha experiência e mostrar que muitas vezes a solução mais adequada e simples para sua vida profissional é passar por um processo de coaching e não de recolocação.

É preciso, portanto, ter uma ideia muito clara do perfil e das características profissionais e pessoais deste cliente. E por que? Porque, dependendo da situação, ele poderá mudar de emprego, mas acabará encontrando mais à frente, na nova empresa, o mesmo tipo de problema ou obstáculo que vivia no emprego anterior. E isso pode acontecer por que as características dessa pessoa vão continuar as mesmas, pois ela apenas trocou de emprego, sem nenhum tipo de preparação, atualização ou treinamento adequados.

É claro que há outros caminhos que podem surgir. Alguns clientes acabam indo fazer terapia, enquanto vários, durante o processo de coaching, descobrem outros talentos profissionais e terminam por mudar mesmo de emprego e de área de atuação. Alguns partem até mesmo para o empreendedorismo. O ponto principal, porém, é que estas decisões não devem acontecer movidas apenas por questões emocionais ou impressões do dia a dia que podem estar camuflando outras situações. O processo de coaching é fundamental para entender seu momento profissional, seu verdadeiro perfil e os caminhos que você pode – ou deve – seguir dali para frente.

Você, profissional, precisa entender que se você estiver num momento de mudar radicalmente sua carreira profissional, você precisa estar muito ciente do que você realmente deseja, deixando suas emoções de lado. Hoje em dia, cada vez mais, os especialistas falam sobre inteligência emocional, o sistema de treinamento e crescimento pessoal e profissional Mindset e o Mindfulness (ou Atenção Plena, um estado onde treinamos qualidades de atenção ao presente e autocompaixão com experiências desafiadoras) – tudo isso porque o momento atual está voltado para o seu “eu”, para o seu autoconhecimento, o seu autogerenciamento e, sobretudo, o seu autocontrole sobre as suas emoções.

Muitas pessoas acabam sendo jogadas em determinadas áreas de uma organização em cargos que talvez elas nunca tenham sonhado. Mas, por uma questão de mérito conquistado em outro setor da companhia, são promovidas para este novo departamento e acabam permanecendo ali devido a vantagens financeiras. E, com isso, atendem às regras da empresa. O fato é que todo mundo, em algum momento, vai se questionar sobre a sua felicidade e sua satisfação ou não com seu trabalho. A grande dúvida desses profissionais é: “Eu quero ser feliz. Mas como ser feliz num momento tão diversificado e tão cheio de influências do meio econômico, da sociedade e das redes sociais?”.

Nessa hora, ninguém deve tomar uma decisão sozinho, a não ser que ele esteja realmente muito convicto da sua decisão, após uma análise muito cuidadosa do perfil profissional e comportamental do seu momento e do seu propósito de vida. É por isso que temos de observar bem este cenário, avaliando se é apenas uma questão emocional ou se é realmente a hora certa para mudanças mais profundas. Eu costumo usar duas palavras que traduzem esse quadro: “perspectiva” x “percepção”. Então, o nosso cliente, com a nossa ajuda, precisa se questionar, com honestidade e clareza, qual é a perspectiva que ele espera para a sua vida e a sua carreira. E, ao mesmo tempo, qual é a percepção que ele tem sobre o seu momento atual. Muitas vezes, essa percepção é muito superficial, abrangendo apenas uma situação específica, e não levando em consideração o futuro. Nestes casos, a pessoa pode ser influenciada por amigos e familiares e, com isso, tomar uma decisão precipitada. Por outro lado, ao sair deste universo limitado e buscar profissionais preparados para ajudá-lo, a pessoa pode se deparar com uma série de outros cenários que ela não tinha sequer analisado com profundidade.

Portanto, uma boa dica – e um grande desafio -, para você que está enfrentando uma situação como esta no seu trabalho, é descobrir se este é o momento de passar por um processo de coaching, e se aprimorar, ou se é hora mesmo de buscar uma transição de carreira. Para fazer isso, não “ligue o foda-se”, “aperte o play” e venha “jogar conosco”. Se isso faz sentido para você, venha tomar um café comigo sem compromisso. Tenho certeza de que posso ajudá-lo a tomar decisões menos emocionais, mais produtivas e com menos riscos à sua carreira profissional.

(*) Artigo de Mari Clei Araújo, diretora da MC Coaching e Consultoria (www.mccoachingresults.com.br), cliente da g6