12,6 milhões de desempregados! Isso tudo é realmente falta de emprego?(*)

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De acordo com os últimos dados oficiais divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Brasil tem hoje 12,6 milhões de desempregados – isso representa uma redução no desemprego brasileiro, pois no início deste ano os números oficiais passavam dos 13 milhões de pessoas. O índice de desemprego atual no País é de 11,8%, na média geral, mas esse percentual muda muito de acordo com o sexo, idade, escolaridade e capacitação da pessoa. Ou seja: mulheres, jovens, profissionais sem nível superior ou capacitação profissional adequada vivem uma realidade muito pior e, por isso, enfrentam muito mais dificuldades para conseguir um novo trabalho.

Um exemplo interessante: se considerarmos apenas os profissionais com 25 anos ou mais e com ensino superior completo, essa taxa de desemprego cai de 11,8% para 5,7%. Isso mostra que quanto maior a qualificação, menor o desemprego. Nós, que trabalhamos no dia a dia buscando profissionais adequados para os nossos clientes, enfrentamos essa realidade na prática. Neste momento, por exemplo, tenho algumas vagas que simplesmente não consigo preencher porque não consigo localizar profissionais qualificados para as funções. Ao mesmo tempo, não param de chegar currículos de candidatos, mas de profissionais sem a menor condição de assumir esses desafios. E essas pessoas não estão buscando se qualificar melhor para aumentar sua chance de conseguir um novo emprego.

Há um dado bem interessante levantado pelo Sindicato dos Comerciários do Estado de São Paulo e pela LCA Consultores. A cidade de São Paulo promove alguns mutirões de emprego, com o objetivo de ajudar as empresas a encontrarem os profissionais certos para as vagas disponíveis. Em 2018, foram realizados dois mutirões com, no total, 10.800 candidatos disputando 5.800 vagas. No final, somente 3.500 vagas foram preenchidas. Neste ano, aconteceu apenas um mutirão, com a presença de 15.000 desempregados buscando uma recolocação. Eram 6.000 vagas em disputas, mas somente 1.325 delas foram ocupadas. O motivo? O mesmo para os dois casos: falta de qualificação por parte dos candidatos. Esse mesmo estudo mostra que haviam, no primeiro trimestre deste ano, 634.300 desempregados considerados pelos especialistas como “de difícil recolocação”.

Nos últimos dois anos, 60% das 11.800 vagas ofertadas em mutirões do emprego, que reuniram grandes empresas, simplesmente não foram preenchidas – apesar do número de candidatos ser sempre bem superior ao de vagas abertas. E sabe o motivo disso? Porque eles têm dificuldade de se expressar e fazer contas, possuem poucos (ou nenhum) conhecimento de informática e inglês e muitas vezes desconhecem a própria língua portuguesa, além de contarem com poucos anos de estudo. É assustador, não acha? E nada indica que este cenário tenha melhorado de lá para cá. As pessoas precisam entender que não basta querer um emprego, é fundamental nos dias de hoje se preparar cada vez mais para atingir esse objetivo.

De acordo com o Sindicato e a União Geral dos Trabalhadores (UGT), em um mutirão recente foram ofertadas 2.000 vagas para caixa de supermercado, com salário mensal em torno de R$ 1.100,00. Acredite: apenas metade das vagas foi preenchida por falta de qualificação dos candidatos. No início do ano, a Atento, empresa de telemarketing de prestígio e maior empregadora privada do Brasil, abriu 1.200 vagas no Mutirão do Emprego, promovido pelo Sindicato dos Comerciários. O resultado foi impressionante: somente 600 interessados e apenas sete operadores de telemarketing haviam sido contratados até junho. Isso representava menos de 1% da demanda da Atento, na época.

Não há dúvida que o mercado brasileiro está enfrentando uma das piores crises das últimas décadas, com corte severo de vagas. Isso é fato. Assim como se torna cada vez mais desafiador enfrentar essa “selva” sem a qualificação adequada para as vagas desejadas. Se você for jovem, a situação é ainda mais alarmante, pois os jovens sem qualificação são, sem dúvida, a parcela da população mais impactada pela crise e, consequentemente, pelo desemprego. Mas não é só. Segundo especialistas em recrutamento, é mais difícil conseguir um emprego para quem tem até o ensino fundamental, tem menos de 20 anos ou mais de 45 e está há mais de um ano fora do mercado.

Existe hoje um abismo entre a qualidade da mão de obra disponível no mercado e o que as empresas realmente precisam para suprir suas necessidades. Especialistas apontam que isso não é culpa da crise. E que não deve se resolver com a retomada da economia, tão esperada para 2020. Segundo Fábio Bentes, economista-chefe da Confederação Nacional do Comércio (CNC), de cada 10 desocupados, dois devem ficar fora do mercado de trabalho na próxima década. Isso significa que aquele número de 634.300 desempregados, considerados “de difícil recolocação”, pode saltar para 1,4 milhão em 10 anos. Em 2014, por exemplo, antes da recessão, a economia estava tão aquecida que até profissionais com poucas qualificações eram absorvidos. Uma ilusão que enganou muita gente, pois, com a crise, o quadro se inverteu e ficou claro que há pouca esperança para quem não se qualificar, atualizar, treinar e se adaptar às novas necessidades muito mais exigentes dos empregadores. É fato que muitos desempregados não estão preparados para conquistar nem mesmo uma vaga muito básica, como operador de telemarketing ou padeiro.

Mas, concretamente, o que as pessoas que estão com dificuldade de conseguir um novo emprego podem fazer para melhorarem suas chances nessas disputas por vagas?

  • A primeira recomendação é se candidatar a vagas que realmente sejam compatíveis com o seu perfil profissional. Não vale a pena perder o seu tempo e energia, nem a do recrutador, em objetivos impossíveis.
  • A segunda dica é caprichar um pouco mais no seu currículo, que é outro problema que detectamos com frequência no nosso dia a dia. Seu currículo deve ser curto, com no máximo duas páginas. Currículos extensos tornam difícil para o recrutador uma leitura mais objetiva e clara das informações importantes que você precisa transmitir.
  • O currículo deve passar, de maneira clara e objetiva, informações pertinentes ao cargo que você está pleiteando. O ideal é que a pessoa tenha mais de um currículo montado, e envie uma versão “adaptada” ao perfil da vaga em disputa para o recrutador. Mas sempre com informações verdadeiras. Estamos falando de foco ao se apresentar, e não de inventar um perfil.
  • É importante, também, que o currículo tenha logo no início um tópico “Resumo das Qualificações”, onde devem ser destacadas qualificações importantes da pessoa para aquela vaga, como o tempo de experiência no setor, o tempo que exerceu alguma liderança na área, domínio ou bons conhecimentos de informática ou inglês, principais realizações durante sua experiência na área etc.

Se você deseja aprimorar o seu currículo, melhorar seu perfil no Linkedin e se preparar de maneira mais eficiente para as futuras entrevistas de emprego, a MC Coaching & Consultoria pode ajudar você. Temos muita experiência neste trabalho e temos condição de orientá-lo no sentido, por exemplo, de tornar o seu currículo mais atrativo para o mercado atual, o que poderá contribuir decisivamente para que você consiga superar mais facilmente a enorme competitividade atual desse mercado com mais de 12 milhões de desempregados.

(*) Mari Clei Araújo é diretora da MC Coaching & Consultoria (www.mccoachingeconsultoria.com.br)